Pashion é um aplicativo para iPad que centraliza o processo criativo na moda — reunindo fichas técnicas, organização por coleções, desenho artístico e moodboards em uma única plataforma.
O desenvolvimento de uma coleção de moda passa por diversas etapas — pesquisa de referências, criação, fichas técnicas, produção — e cada uma costuma acontecer em ferramentas diferentes que não se comunicam entre si. No contexto acadêmico e no início da carreira, esse cenário se intensifica: além de aprender o processo em si, estudantes e iniciantes precisam descobrir por conta própria como organizar e conectar tudo isso.
Para entender melhor essa realidade, entrevistamos 33 participantes — marcas, estilistas, professores e estudantes. O padrão mais recorrente não foi a dificuldade com uma etapa específica, mas a falta de visão integrada do projeto como um todo.
A fragmentação das ferramentas e a complexidade das soluções disponíveis dificultam o acompanhamento do processo criativo na moda. Muitas atividades ainda dependem de processos manuais — planilhas, documentos soltos, arquivos sem padronização — e algumas etapas ainda são feitas de forma manuscrita, o que torna atualizações e compartilhamento mais lentos e suscetíveis a erros.
Com ajustes frequentes ao longo do desenvolvimento, a falta de um fluxo integrado gera retrabalho e dificuldades na continuidade entre etapas, impactando tanto o aprendizado quanto a eficiência dos projetos.
A pesquisa teve caráter qualitativo e exploratório, com foco em compreender o fluxo de trabalho, as ferramentas utilizadas e as principais dificuldades enfrentadas ao longo da cadeia produtiva da moda.
Foram realizadas entrevistas com 33 participantes, incluindo marcas, estilistas, professores e estudantes. Isso permitiu observar diferentes perspectivas do mesmo processo — do ensino à prática profissional.
Os participantes relataram que:
A visão do produto foi centralizar o processo criativo da moda em uma única plataforma, promovendo organização, produtividade e facilidade de uso, com foco em apoiar estudantes e iniciantes.
A definição das funcionalidades considerou o valor a ser entregue ao usuário em relação ao tempo e recursos disponíveis.
Para o MVP:
Essas funcionalidades cobrem as etapas mais importantes do processo criativo, permitindo uma visão geral do projeto.
A ficha técnica foi definida como feature central por três motivos: representava uma dor recorrente nas entrevistas, havia uma lacuna no mercado para soluções acessíveis, e era um processo frequentemente manual no contexto acadêmico.
As demais funcionalidades foram desenvolvidas de forma essencial, garantindo coesão do fluxo sem competir diretamente com softwares profissionais mais robustos.
O projeto teve duração de aproximadamente seis meses. Como única designer da equipe, foi necessário priorizar entregas de maior impacto em cada etapa do processo. Algumas decisões de design tiveram sua complexidade reduzida para atender restrições técnicas e alinhamentos com a Product Owner.
Os wireframes de baixa fidelidade serviram como base para estruturar fluxos, hierarquia de informação e organização das telas. A partir deles, o design evoluiu gradualmente para protótipos de alta fidelidade, mantendo coerência com as decisões validadas em testes de usabilidade.
O aplicativo foi projetado especificamente para iPad, priorizando padrões nativos da plataforma. A adoção de componentes nativos do iOS/iPadOS teve como objetivo reduzir a curva de aprendizado para usuários já familiarizados com o sistema, além de facilitar a implementação junto à equipe de desenvolvimento.
Essa decisão também contribuiu para maior previsibilidade de comportamento da interface e melhor performance no uso cotidiano.
Para o MVP, o design foi desenvolvido exclusivamente em modo claro, permitindo foco na consolidação da experiência principal antes de expandir para variações visuais.
A identidade visual do Pashion foi orientada pelos conceitos de clean, técnico e criativo, utilizando referências principalmente de aplicativos nativos para iPad e ferramentas técnicas.
O objetivo foi criar uma interface que apoiasse o processo criativo sem impor complexidade desnecessária.
A paleta foi construída a partir de tons de roxo e azul, escolhidos por seus significados associados à tecnologia, profissionalismo e criatividade.
Além do papel estético, as cores desempenham uma função estrutural: cada tipo de documento possui uma cor específica, facilitando reconhecimento, organização e navegação dentro das coleções.
Foi adotada a combinação de Poppins para títulos e SF Pro para textos corridos. A SF Pro garante alta legibilidade em conteúdos densos, como fichas técnicas, enquanto a Poppins contribui para a identidade visual do produto, alinhando-se à estética moderna e criativa do aplicativo.
Para a funcionalidade de desenho, desenvolvi um SF Symbol personalizado — um lápis que muda de cor conforme a cor que o usuário está usando. O ícone foi construído com camadas: apenas a ponta e a base mudam de cor, enquanto a camada central permanece fixa. Foi minha primeira vez criando um SF Symbol do zero, e essa experiência posteriormente virou uma aula em que pude ensinar outras pessoas a fazer o mesmo.

Os principais componentes — botões, cards, elementos de navegação — foram construídos e organizados no Figma, garantindo consistência visual e agilidade nas entregas. Esse conjunto de componentes guiou a evolução da interface e facilitou a colaboração com o time de desenvolvimento.

A ficha técnica é um documento denso — envolve informações de materiais, medidas, aviamentos, fornecedores — e tradicionalmente é feita de forma manual ou em planilhas. Transformar isso em uma experiência digital exigiu tempo de pesquisa e testes para entender a melhor forma de organizar essas informações no app. O usuário ainda precisaria inputar muitos dados manualmente, então o foco foi deixar esse processo o mais prático e fluido possível. O resultado foi uma interface funcional e bem aceita nos testes.
O produto foi concebido para complementar softwares profissionais de desenho, como o Procreate. Por isso, as funcionalidades de desenho e moodboard foram pensadas como MVPs, priorizando praticidade e integração.
O aplicativo permite importar conteúdos criados em outras ferramentas, reforçando seu papel como plataforma centralizadora do processo criativo e organizacional.
O MVP foi lançado na App Store, com navegação e fluxos validados por testes de usabilidade. O feedback dos usuários destacou a praticidade da ferramenta e a facilidade em acompanhar o projeto como um todo.

Desenho Artístico

Tela Inicial

Ficha Técnica
A solução resultou em um MVP funcional lançado na App Store, com navegação e fluxos validados por testes de usabilidade. A recepção dos usuários foi positiva, destacando a praticidade e a organização proporcionadas pela plataforma.
A criação de um Design System mais estruturado desde o início poderia ter facilitado a colaboração com a equipe de desenvolvimento e otimizado o processo ao longo do projeto.
O refinamento na identidade visual, especialmente a tela de criação de novas fichas técnicas, poderia tornar a experiência ainda mais elegante e profissional.